História


A freguesia de Santiago de Besteiros encontra-se na parte centro-norte do concelho de Tondela, muito perto do limite com os concelhos vizinhos de Oliveira de Frades e de Vouzela. Espraia-se entre a serra do Caramulo e a margem do rio Criz.

A onze quilómetros, fica a sede do concelho. Delimitam-na as freguesias Silvares e Caparrosa, a norte; Campo de Besteiros, a sul; Guardão a ocidente; e Vilar de Besteiros, a leste. É constituída pelos lugares de Santiago de Besteiros, Pedronhe, Barrô, Litrela, Lourosa, Muna, Portela, Portelada e Santiago de Besteiros.

O povoamento da área que hoje corresponde à freguesia de Santiago de Besteiros remonta a períodos pré-históricos, como o comprovam alguns vestígios arqueológicos.

No sítio arqueológico denominado Monumento do Tresufo, foi identificada uma mamoa do período Neo-Calcolítico. Encontra-se no cimo de uma pequena elevação natural, não muito longe da Mamoa da Mazugueira. De planta circular, tem cerca de vinte e cinco metros de diâmetro e um metro de altura. A cobertura pétrea é composta por granitos, xisto e algum quartzo.

Em termos de documentação escrita, a freguesia já é referida nas Inquirições de 1258, ordenadas pelo rei D. Afonso III. Nesse documento, já são referidos vários lugares desta freguesia, como Barrô, Casal de Maças e Casal Dasco, Lourosa, Portela, Portelada, Muna, Pedronhe e Litrela.

Alguns anos mais tarde, nas Inquirições de D. Dinis, realizadas em 1288, é designada por «Parochia de Sancti Jacobi de Balistariis». Nessa altura, a freguesia fazia parte do Julgado de Besteiros. Quanto às propriedades, o documento refere que «há hi uma quintãa que chamã barroho que sse defende por onrra p. razã q f. dommes filhos dalguo, em lourosa há 4 casas, hua duma dona q trageo por onrra e os 3 foram pertença desta quintãa q chamã Casal Vuasco q há de dona maria anes que onrra 3 casais q hi hã desa quintãa».

Por outras palavras, em finais do século XIII Barrô era uma honra, atribuída a membros da Nobreza que o documento não esclarece; Lourosa tinha quatro casais – um deles uma honra e os outros três que tinham pertencido a uma quintã, denominada de Casal Vasco.

Um nome que aparece nestas Inquirições, como tendo terras honradas, é o de D. Maria Anes. Uma nobre que pertencia à estirpe de Riba da Vizela, sendo filha de D. João Fernando e irmã do Tenente de Besteiros, D. Fernando Anes. Este, no ano de 1235, possuía terra de donatários na região.

A freguesia beneficiou da carta de foral concedida por D. Manuel I a Besteiros em 14 de Julho de 1515. Segundo o documento, Santiago deveria pagar, anualmente, à Coroa trinta e seis reais de fossadeira, sucedânea das cavalarias mencionadas nas Inquirições de 1258. A fossadeira estava relacionada com a obrigatoriedade de serviço militar ao serviço do concelho.

Um município, o de Besteiros, que nos merece uma referência especial pelo facto de ter feito parte integrante da história de Santiago de Besteiros, O seu território estava repartido pelas freguesias de Barreiro de Besteiros, Campo de Besteiros, Santiago de Besteiros e Vilar de Besteiros.

Nessa altura, Molelos era a sede do concelho e Santiago de Besteiros a segunda freguesia mais importante a nível demográfico. Em 1708, segundo a «Corografia Portuguesa», tinha mais de trezentos fogos.

Com a extinção do concelho de Besteiros, em 1836, transitou para o concelho de Tondela, criado nesse mesmo ano.

No que diz respeito ao património edificado, uma primeira palavra para a Igreja Paroquial de Santiago de Besteiros, consagrada a S. Tiago. O actual edifício foi construído em finais do século XVIII, embora a capela-mor só tenha sido concluída em 1806. Na fachada, muito interessante, uma imagem do orago em pedra. Tem torre sineira adossada do lado esquerdo.

No interior, uma pia baptismal com suporte torso, atribuída ao genial João de Ruão. Tinha também um órgão, actualmente no Seminário Maior de Viseu.

Em frente à Igreja, encontra-se o Chafariz de Santo António.

Junto ao rio, uma ponte medieval, de um só arco, transmite bem a antiguidade do povoamento da freguesia,

Para além do património edificado, as paisagens também proporcionam momentos muito interessantes a quem visita Santiago de Besteiros. Passear a pé é uma possibilidade, de forma aleatória ou através da Rota de Santiago, com percurso sinalizado e devidamente avaliado.